Você tenta abrir aquele pote de geleia, o vidro do molho, o frasco do remédio — e sente uma dor aguda na mão, especialmente na base do polegar ou no pulso. Você força um pouco mais, consegue abrir, e pensa: ‘É a idade. Normal.’

Mas o Dr. João Pedro Brunelli discorda. Dor ao abrir potes, aperto de objetos, virada de maçaneta ou escrita prolongada não é um destino inevitável do envelhecimento. É um sintoma — um sinal de que alguma estrutura da sua mão está sofrendo mais do que deveria.

Existem pelo menos quatro condições distintas que podem se manifestar exatamente dessa forma, e cada uma delas tem diagnóstico específico, tratamento específico e prognóstico específico. O problema é que sem avaliação especializada, todas elas parecem iguais: dói quando uso a mão com força. E sem diagnóstico correto, o tratamento errado pode, na melhor das hipóteses, não resolver nada, e na pior, agravar o problema.

Neste artigo, o Dr. João Pedro Brunelli explica as causas mais comuns de dor ao usar a mão com força, como diferenciá-las clinicamente e quais são as opções de tratamento para cada caso.

Rizartrose: a artrose que afeta o polegar

A rizartrose é a artrose da articulação carpometacarpal do polegar — a articulação que conecta o polegar à base da mão, exatamente onde a maioria das pessoas sente dor ao abrir potes. É a forma mais comum de artrose da mão e afeta especialmente mulheres após a menopausa, embora possa ocorrer em homens e em pessoas mais jovens com histórico de trauma ou hipermobilidade.

O Dr. João Pedro Brunelli explica que a articulação carpometacarpal do polegar é submetida a forças enormes durante atividades cotidianas simples. Quando você abre um pote, a força gerada nessa articulação pode ser até 12 vezes maior do que a força aplicada pelos dedos. Com o envelhecimento e o uso repetido, a cartilagem que reveste as superfícies articulares desgasta, a membrana sinovial inflama, e o osso tenta se remodelarem formando osteófitos — os chamados bicos de papagaio.

O resultado é dor, inchaço, deformidade progressiva e perda de força de pinça. O polegar começa a assumir uma postura característica — com adução da articulação carpometacarpal e hiperextensão da articulação metacarpofalângica — que o Dr. João Pedro Brunelli chama de deformidade em Z ou em polegar em Z.

O diagnóstico é confirmado com radiografias simples das mãos, que mostram a redução do espaço articular, a esclerose do osso subcondral e os osteófitos. O Dr. João Pedro Brunelli classifica o grau da artrose em quatro estágios, o que orienta a escolha do tratamento.

No tratamento conservador da rizartrose, o Dr. João Pedro Brunelli utiliza órteses para imobilizar a articulação durante atividades que provocam dor, anti-inflamatórios, fisioterapia e infiltrações de corticoide ou ácido hialurônico. Quando o tratamento conservador não é suficiente, a cirurgia — geralmente a trapeziectomia com ou sem ligamentoplastia — oferece alívio duradouro da dor e restauração da função.

Tendinite de De Quervain: o tendão do lado do pulso que inflama

A tendinite de De Quervain é a inflamação da bainha sinovial que reveste os tendões do abdutor longo e do extensor curto do polegar, que passam por um túnel estreito no lado radial do pulso — exatamente onde o polegar se une ao antebraço.

Essa condição causa dor exatamente no mesmo local que a rizartrose — a base do polegar — mas tem uma característica diferente: a dor é mais localizada no processo estilóide do rádio, piora com movimentos de abdução e extensão do polegar, e é especialmente intensa ao desviar o pulso para o lado do dedo mínimo com o polegar fechado — o chamado teste de Finkelstein, que o Dr. João Pedro Brunelli realiza na consulta.

A tendinite de De Quervain é especialmente frequente em mães de bebês recém-nascidos — a posição de segurar e amamentar o bebê sobrecarrega esses tendões de forma repetitiva — e em pessoas que realizam movimentos repetitivos do polegar, como digitadores, cabeleireiros e músicos.

O Dr. João Pedro Brunelli trata a De Quervain em seus estágios iniciais com imobilização, anti-inflamatórios e infiltração de corticoide na bainha tendínea — que tem ótimos resultados na maioria dos casos. Quando há falha do tratamento conservador, a cirurgia de abertura do primeiro compartimento extensor do pulso resolve o problema de forma definitiva.

Uma diferença importante que o Dr. João Pedro Brunelli destaca: a tendinite de De Quervain costuma ter um início mais agudo, em geral associável a alguma atividade ou período específico, enquanto a rizartrose tem uma evolução mais gradual e crônica. A distinção é fundamental para o tratamento correto.

Síndrome do túnel do carpo: quando a dor ao apertar vem do nervo

A síndrome do túnel do carpo — que discutimos com mais detalhes no primeiro artigo desta série — também pode se manifestar como dor e fraqueza ao usar a mão com força. Quando o nervo mediano está comprimido dentro do túnel do carpo, a condução dos sinais nervosos é prejudicada, e o paciente pode sentir não apenas dormência, mas também dor ao realizar atividades que exigem força de preensão.

O Dr. João Pedro Brunelli explica que muitos pacientes com síndrome do túnel do carpo não apresentam o quadro clássico de dormência noturna — especialmente nas fases intermediárias da doença. Eles chegam ao consultório queixando-se de dor ao escrever, ao segurar o telefone ou ao abrir embalagens, sem associar ao nervo.

A história de dor que piora à noite, a localização nos três primeiros dedos e a reprodução dos sintomas ao dobrar o pulso por mais de um minuto ajudam o Dr. João Pedro Brunelli a suspeitar do diagnóstico, que é confirmado pela eletroneuromiografia.

O tratamento — conservador ou cirúrgico, dependendo do estágio — é eficaz e costuma resolver também a dor ao usar a mão com força, além dos sintomas sensoriais.

Artrose interfalângica: quando os nós nos dedos aparecem

Além da rizartrose, o Dr. João Pedro Brunelli vê frequentemente pacientes com artrose das articulações interfalângicas — aquelas entre as falanges dos dedos. A artrose interfalângica distal causa os famosos nódulos de Heberden, pequenas saliências nas articulações da ponta dos dedos. A artrose interfalângica proximal causa os nódulos de Bouchard, nas articulações intermediárias.

Esses nódulos são depósitos de osteófitos — osso que se forma em resposta ao desgaste da cartilagem — e podem ser dolorosos nas fases ativas da doença, quando a articulação está inflamada. Com o tempo, a inflamação diminui, os nódulos permanecem, mas a dor frequentemente melhora.

O Dr. João Pedro Brunelli trata a artrose interfalângica ativa com anti-inflamatórios, órteses e infiltrações de corticoide. A cirurgia é reservada para casos com dor intensa e refratária ou com deformidade que compromete significativamente a função. O procedimento mais utilizado nessa situação é a artrodese — fusão da articulação em posição funcional — que elimina a dor de forma definitiva ao custo de abolir o movimento da articulação comprometida.

O Dr. João Pedro Brunelli é cuidadoso ao indicar a artrodese, sempre avaliando o impacto funcional do dedo afetado, a profissão e os hobbies do paciente, e se a eliminação do movimento compensará pela eliminação da dor.

Como o Dr. João Pedro Brunelli diferencia as causas na consulta

Diante de um paciente com dor ao usar a mão com força, o Dr. João Pedro Brunelli realiza uma avaliação sistematizada que inclui a localização precisa da dor, as atividades que a desencadeiam, o padrão de piora ao longo do dia, a presença de outros sintomas como dormência ou rigidez matinal, e o histórico de doenças e atividades.

O exame físico inclui a palpação de cada articulação e tendão, a realização de manobras diagnósticas específicas para cada condição, a avaliação da força de preensão e de pinça, e a análise da postura e do alinhamento dos dedos.

Os exames complementares mais utilizados pelo Dr. João Pedro Brunelli são as radiografias das mãos — para avaliar a artrose — a ultrassonografia — para avaliar tendões e bainhas — e a eletroneuromiografia — para avaliar os nervos.

Com base nessa avaliação completa, o Dr. João Pedro Brunelli é capaz de identificar a causa correta da dor e propor um tratamento específico, eficaz e seguro. Dor ao abrir um pote não é apenas envelhecimento — é uma mensagem do seu corpo que merece ser interpretada corretamente.

Perguntas Frequentes

A artrose da mão tem cura?

A artrose é uma condição degenerativa sem cura no sentido de reverter o desgaste da cartilagem. No entanto, o Dr. João Pedro Brunelli dispõe de tratamentos que controlam a dor de forma muito eficaz e preservam a função da mão, incluindo opções cirúrgicas que oferecem alívio duradouro.

Posso usar o polegar normalmente com rizartrose?

Com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes com rizartrose consegue manter a função do polegar de forma satisfatória. O Dr. João Pedro Brunelli orienta sobre modificações nas atividades, uso de órteses e adaptações que reduzem a sobrecarga na articulação.

Anti-inflamatório resolve o problema?

Os anti-inflamatórios aliviam a dor e a inflamação de forma temporária, mas não tratam a causa subjacente. O Dr. João Pedro Brunelli utiliza anti-inflamatórios como parte de um plano de tratamento mais amplo, que inclui fisioterapia, órteses e, quando necessário, procedimentos mais específicos.

A tendinite de De Quervain some sozinha?

Em alguns casos, especialmente quando o fator causador — como a amamentação — é removido, pode haver melhora espontânea. No entanto, muitos casos evoluem para cronificação sem tratamento adequado. O Dr. João Pedro Brunelli recomenda não esperar muito tempo antes de buscar avaliação.

Devo evitar usar a mão com dor?

Depende da causa. Em alguns casos, o repouso é importante. Em outros, manter o movimento é fundamental. O Dr. João Pedro Brunelli orienta cada paciente individualmente sobre quais atividades devem ser evitadas e quais devem ser mantidas, de acordo com o diagnóstico.

Com que frequência devo fazer radiografias de controle?

O Dr. João Pedro Brunelli solicita radiografias na avaliação inicial e depois conforme a evolução clínica. Para artrose estável com sintomas controlados, radiografias anuais costumam ser suficientes. Para casos em acompanhamento de tratamento cirúrgico, a frequência é maior.