A internet está cheia de informação. O problema é que nem toda informação é correta — e quando se trata de lesões em nervos e tendões, uma informação errada pode atrasar o diagnóstico, comprometer o tratamento e determinar um resultado muito pior do que seria possível com a orientação correta.
O Dr. João Pedro Brunelli ouve, em seu consultório, mitos repetidos por pacientes com tanta convicção que chegam até a resistir ao tratamento correto. Mitos que circulam nas redes sociais, são passados por conhecidos e às vezes até perpetuados por profissionais de saúde que não são especialistas nessa área.
Por isso, o Dr. João Pedro Brunelli decidiu colocar em texto os seis mitos mais perigosos que ele encontra na prática clínica — e a verdade por trás de cada um deles.
Mito 1: Nervo lesado não tem conserto, é perda definitiva
Este é provavelmente o mito mais prejudicial que o Dr. João Pedro Brunelli encontra, porque leva pacientes a desistirem de buscar tratamento antes mesmo de serem avaliados.
A verdade é que o nervo periférico tem capacidade de regeneração — uma característica que o diferencia do nervo central do cérebro e da medula espinhal. Quando o nervo é reparado em boas condições técnicas e dentro de um prazo adequado, é possível obter recuperação significativa da sensibilidade e da função motora.
É verdade que lesões antigas, com atrofia muscular estabelecida, têm prognóstico mais reservado. Mas mesmo nesses casos, o Dr. João Pedro Brunelli dispõe de procedimentos como transferências tendíneas e transferências nervosas que podem restaurar função de forma surpreendente.
A mensagem do Dr. João Pedro Brunelli é clara: antes de concluir que não tem conserto, busque avaliação especializada. Você pode estar desistindo de algo que tem solução.
Mito 2: Cirurgia da mão é sempre de alto risco
O medo da cirurgia é compreensível e legítimo. Mas o Dr. João Pedro Brunelli observa que muitos pacientes evitam tratamentos cirúrgicos necessários por uma percepção exagerada dos riscos, alimentada por histórias dramatizadas.
A verdade é que a grande maioria das cirurgias da mão são realizadas sob anestesia local ou locorregional, sem a necessidade de anestesia geral. São procedimentos ambulatoriais, com duração de 20 minutos a algumas horas, dependendo da complexidade, e com taxas de complicação muito baixas quando realizadas por especialistas experientes.
O Dr. João Pedro Brunelli explica que os riscos existem e precisam ser discutidos com cada paciente — mas precisam ser contextualizados. O risco de uma cirurgia de túnel do carpo, por exemplo, é muito menor do que o risco de deixar o nervo comprimido por anos até o ponto da atrofia irreversível.
Recusar um tratamento cirúrgico necessário por medo também tem seu risco — o risco de piora progressiva da condição. O Dr. João Pedro Brunelli ajuda cada paciente a fazer essa análise de forma informada e racional.
Mito 3: Tendão cortado costura sozinho, não precisa de cirurgia
Esse mito é perigoso e causa danos reais. O Dr. João Pedro Brunelli encontra frequentemente pacientes que cortaram um tendão em acidentes domésticos — com faca, vidro ou lata — e não buscaram atendimento imediato porque alguém disse que o tendão ia cicatrizar sozinho.
A verdade é que um tendão completamente seccionado não se une espontaneamente. As extremidades do tendão cortado retraem para direções opostas sob a tração dos músculos, e a separação aumenta progressivamente. Sem reparo cirúrgico, o tendão simplesmente não recupera sua continuidade.
Além disso, o tendão flexor tem uma janela de tempo ideal para o reparo primário — geralmente as primeiras 12 a 24 horas após a lesão. Depois desse período, o reparo ainda é possível, mas tecnicamente mais complexo e com resultados menos previsíveis. Após semanas ou meses sem reparo, pode ser necessário um procedimento de enxerto tendíneo, muito mais complexo e com recuperação mais prolongada.
O Dr. João Pedro Brunelli orienta: qualquer corte profundo na mão que resulte em incapacidade de dobrar ou esticar um dedo deve ser avaliado por especialista em caráter de urgência. O tempo é determinante para o resultado.
Mito 4: Depois de operar o tendão não pode mover a mão para não rasgar a costura
Esse mito é tão difundido que causa um problema real na reabilitação: pacientes que ficam imobilizados por semanas após cirurgia de tendão, desenvolvendo aderências que comprometem completamente o movimento.
A verdade é que os protocolos modernos de reabilitação após cirurgia de tendão flexor são baseados exatamente no oposto: a mobilização precoce e controlada, iniciada geralmente nas primeiras 24 a 48 horas após a cirurgia, é fundamental para prevenir aderências e otimizar o resultado funcional.
O Dr. João Pedro Brunelli explica que as técnicas atuais de sutura tendínea utilizam fios de alta resistência em configurações que permitem que o tendão seja mobilizado logo após a cirurgia sem risco de ruptura, desde que respeitados os limites de força definidos pelo protocolo.
A mobilização precoce, conduzida por terapeuta especializado em mão, estimula a produção de líquido sinovial que nutre e lubrifica o tendão, orienta a organização das fibras de colágeno da cicatriz e previsa a formação de aderências que prenderiam o tendão ao canal. É um dos avanços mais importantes da cirurgia da mão nas últimas décadas, e o Dr. João Pedro Brunelli aplica esses protocolos em toda a sua prática.
Mito 5: A dormência nas mãos é sempre coisa de postura ruim, passa sozinha
Esse mito já foi discutido em detalhes no primeiro artigo desta série, mas o Dr. João Pedro Brunelli o repete aqui porque é um dos mais comuns e mais prejudiciais.
A verdade é que a dormência recorrente nas mãos — especialmente a que acorda o paciente à noite, a que aparece ao segurar o celular ou o volante, e a que está associada a formigamento em distribuição específica dos dedos — é frequentemente o primeiro sinal de uma compressão nervosa que está evoluindo.
Diferente da dormência passageira causada por uma posição ruim, a dormência que se repete com frequência e localização definida precisa ser investigada. A síndrome do túnel do carpo, a síndrome do túnel cubital e outras neuropatias compressivas evoluem progressivamente e, se não tratadas, levam a dano nervoso permanente.
O Dr. João Pedro Brunelli sublinha que esperar que a dormência passe sozinha é uma aposta arriscada. Se estiver passando, ótimo — mas se estiver progredindo, cada semana sem diagnóstico é uma semana de dano nervoso acumulado.
Mito 6: Fisioterapia resolve qualquer lesão de nervo ou tendão, não precisa ver médico
O Dr. João Pedro Brunelli tem enorme respeito pelo trabalho dos fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, com quem trabalha em parceria diária. Mas o mito de que a fisioterapia substitui a avaliação médica especializada em casos de lesão de nervo e tendão é perigoso.
A verdade é que a fisioterapia é essencial como parte do tratamento — mas o tratamento precisa partir de um diagnóstico correto. Um fisioterapeuta pode fazer um excelente trabalho de mobilização e fortalecimento, mas não pode diagnosticar uma compressão nervosa, avaliar o grau de dano, indicar quando a cirurgia é necessária ou realizar o reparo de um tendão seccionado.
O Dr. João Pedro Brunelli encontra regularmente no consultório pacientes que fizeram meses de fisioterapia para um problema que precisava de cirurgia desde o início — e que chegam com um dano nervoso mais avançado do que se tivessem sido avaliados mais cedo.
A mensagem é de integração, não de disputa: fisioterapia e cirurgia se complementam. O médico especialista define o diagnóstico e a estratégia terapêutica. O fisioterapeuta executa a reabilitação com maestria. O resultado é melhor quando as duas coisas funcionam juntas, na sequência certa.
Perguntas Frequentes
Como saber se um mito médico que li na internet é verdadeiro ou falso?
O critério mais seguro é buscar informação em fontes científicas ou médicas confiáveis, e confirmar com um especialista qualificado. O Dr. João Pedro Brunelli incentiva seus pacientes a trazerem suas dúvidas para a consulta, onde podem ser respondidas com base em evidências.
Tenho medo de cirurgia. O que devo fazer?
O medo é legítimo e deve ser respeitado. O Dr. João Pedro Brunelli dedica tempo na consulta para explicar em detalhes o procedimento indicado, os riscos reais, os benefícios esperados e as alternativas disponíveis. Uma decisão informada é sempre melhor do que uma decisão tomada com base no medo.
Meu médico de família disse que era só estresse. Devo buscar segunda opinião?
Sintomas persistentes na mão — especialmente dormência, perda de força ou dificuldade de movimento — merecem avaliação por um especialista em cirurgia da mão, mesmo que tenham sido atribuídos a estresse ou postura. O Dr. João Pedro Brunelli realiza avaliações de segunda opinião com regularidade.
Quanto tempo antes de buscar médico após um corte na mão?
Imediatamente, se o corte for profundo e houver perda de movimento dos dedos. O Dr. João Pedro Brunelli recomenda que qualquer corte profundo na mão que cause incapacidade de fletir ou estender um dedo seja avaliado em emergência no mesmo dia.
Fisioterapia pode piorar uma lesão de nervo não diagnosticada?
Em geral, fisioterapia bem conduzida não piora lesões nervosas. Mas o tratamento inadequado — como mobilização excessiva de uma lesão que precisa de imobilização, ou imobilização de algo que precisa ser mobilizado — pode ser prejudicial. É por isso que o diagnóstico correto deve preceder a fisioterapia.
É verdade que nervos regeneram mais rápido em jovens?
Sim, há evidência científica de que a regeneração nervosa é mais eficiente em pessoas mais jovens. Isso não significa que adultos mais velhos não se recuperam — a velocidade e a completude podem ser menores, mas o Dr. João Pedro Brunelli obtém bons resultados em pacientes de todas as idades.

